CARTAS COM OLHAR II

Todos nós, sem a mais remota exceção, nascemos com uma essência. Alguns nascem com umas habilidades e outros ainda a desenvolvem durante o período a que se destina estar por aqui. Eu admiro e aplaudo pessoas que detém  habilidade motora, manual. Que desenham, costuram, manipulam com leveza. Que fazem das mãos instrumentos de genialidade. Também sou refém dos que dominam a habilidade da escrita. Da forma de se comunicar, singular, não como mera utilização de linguagem, mas que transformam  palavras em verdadeiros caminhos deliciosos de passar, inesquecíveis. Então habilidade e essência em algum momento meio que se misturam e confundem. Vc é hábil, ou dotado de um dom? Mas quando a vida e suas mesquinhas obrigações nos leva a exercer funções as quais vc não tem a menor habilidade e menos ainda um dom, tudo fica sofrível. Minhas habilidades tão voltadas para o coletivo, para o social, essência pura de senso comum, tudo preso dentro de mim. As vezes da janela do ônibus que me transporta eu observo o quanto eu poderia estar fazendo, desenvolvendo, criando e em contrapartida abastecendo com minhas habilidades um setor carente, de uma cidade carente. As doenças mentais estão invadindo os lares, os escritórios, as escolas, tudo em silêncio. As pessoas sentem vergonha, medo. Os hospitais cada vez mais cheios de depressivos, de profissionais com inúmeros transtornos, todas aquelas doençazinhas silenciosas que na maioria das vezes somente os familiares ou as paredes do seu quarto sabem. Na minha leiga e humilde opinião acredito que as pessoas não estejam exercendo sua verdadeira essência. Em todos os sentidos. Profissional, pessoal. As pessoas estão presas dentro delas mesmas. Em casamentos infelizes. Em trabalhos enfadonhos. Agindo contra sua própria natureza. E há o que se fazer? Eu não sou a mais indicada a responder, já que lidero o ranking das concessões em nome dos outros, mas hoje eu estou assim. Meio triste por aceitar. Por me acomodar. Fiquei sabendo que Winehouse se matou. Será que ela se sentia assim? Talvez. Então hoje vou sair prá cantar. Essa é a minha solução.



Escrito por nuriah buendía às 17h03
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